Dr. Pedro Ernesto
Pedro Ernesto do Rego Baptista nasceu em Recife, Pernambuco, em25 de setembro de 1884. Desencarnou no Rio de Janeiro, em 10 de agosto de 1942. Foi médico e político, iniciou sua trajetória política nos primeiros anos da década de 1920, tomando parte nos movimentos de oposição ao Governo Federal pelos oficiais do Exército.
No início de 1933, Pedro Ernesto participou da fundação do Partido Autonomista do Distrito Federal, cujo principal ponto programático era a luta pela autonomia política da cidade do Rio de Janeiro, a capital da República. Sob sua liderança, o Partido Autonomista saiu vitorioso nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, tendo suas teses aprovadas. No ano seguinte, veio a grande vitória do partido nas eleições para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, elegendo a maior bancada daquela Casa. Os vereadores autonomistas elegeram, então, Pedro Ernesto prefeito do Rio de Janeiro. Foi o primeiro governante eleito da história da cidade, ainda que de forma indireta.
Sua administração se destacou por realizações no campo da Saúde e da Educação. Teve a ajuda de Anísio Teixeira, signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932). Foi preso em 1936. A acusação era de participar do levante comunista no Rio de Janeiro. Foi substituído pelo Cônego Olímpio de Melo. Solto, após um ano, foi recebido na porta do presídio pela população carioca.
Pedro Ernesto realizou tanto pela cidade do Rio de Janeiro que foi homenageado com nome de rua, escola, hospital, medalha. Deu nome ao edifício sede do Legislativo Municipal, o Palácio Pedro Ernesto.
Esta é uma breve história deste abnegado espírito para que você tenha uma ideia de quem é o nosso dirigente espiritual. Seria coincidência? Ele foi médico de grande valor e político completamente envolvido com a causa dos necessitados da terra. Vemos em sua história a sua luta em duas frentes de suma importância: o tratamento ( medicina ) e a educação que promove o desenvolvimento do ser como um todo na direção de poder voar com as próprias asas.
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” Timponi, meu caro, estamos ainda juntos
A morte não conseguiria desfazer laços tão vigorosos. A sepultura é apenas regresso à vida maior, onde o coração prossegue, pulsando no mesmo ritmo de ideal.
Meu amigo, meu bom amigo, e a existência passou sem a realização que sonhávamos. Todo aquele acervo de esperanças, aquele mundo de projetos sem fim, foram adiados, adiados pelas circunstâncias adversas que, em nos tolhendo o trabalho, sob o guante de ferro, reduziu-nos o esforço, impondo-nos inesperadas limitações. Não tenho, contudo, razões de queixa. A oportunidade foi pródiga de bênçãos e a romagem terrestre fecunda de oportunidades edificantes.
Meu erro foi apenas de visão. Entreguei-me demasiadamente ao setor de realizações transitórias, convicto de que a Luz viria do exterior para o interior, distraído das necessidades de renovação essencial.
Minhas preocupações políticas iam excessivamente longe. Idealizava o serviço da transformação geral por determinações da lei. Acreditava que a posse da autoridade nos poderia conferir recursos amplos para a restauração da vida coletiva. O pauperismo impressionava-me. A ignorância era objeto de minha constante preocupação. Instalar uma consciência nova no Brasil, em matéria de política administrativa, constituiu velha obsessão a reduzir-me toda a capacidade de resistência.
E supus que pudéssemos alçar a bandeira renovadora tão somente alcançado a simpatia pública para concatenar, de futuro, as determinações do poder.
Não me assaltava o propósito de domínio, nem me seduziam quaisquer perspectivas de conquistas ditatoriais. Era a esperança de higienizar o ambiente para a melhoria do homem, era o anseio de estruturar a ossatura das classes no gigante ciclópico do Brasil grande e feliz.
Entretanto, T., somente aqui se fez bastante luz em meu Espírito. Fascinado pelo materialismo clássico, não conseguia ultrapassar a noção de humanidade. Deixava-me arrastar dentro dos princípios, como viajante que apenas soubesse caminhar sob o manto da noite. Meu coração dormia ante a claridade para agir intensamente nos círculos de sombra. Daí, meu caro, a tardia impressão da realidade. A minha, a nossa política, deveria pairar muito mais alto. Sentíamos o chefe, sem encontra-lo. Percebíamos a existência do mecanismo de solução justa ao problema, sem identifica-lo.
Meu estimado e inesquecível amigo esse orientador supremo que palpitava, invisível, em nosso entendimento, era bem o Cristo de Deus, e esse mecanismo em que se deveria processar nossa tarefa é a sua Doutrina, não apenas criada e examinada com o raciocínio, mas, sobretudo, sentida e vivida com o coração. Essa, T., a descoberta maravilhosa, a que a morte me conduziu. Compreendo a dedicação com que devemos consagrar à causa pública; entendo, como indispensável o processo normal da cooperação legítima entre nós outros e os que necessitam de nós, todavia, as paixões partidárias perderam para mim aquele fogo sagrado com que as mantinha acesas, dentro d’ alma inquieta.
A libertação alijou-me cargas mentais muitos pesadas e atingi o porto da compreensão evangélica que me faz presentemente tão calmo e feliz. Graças à Providência a sinceridade salvou-me.
Viajor de navio pesado em águas revoltas, a lealdade constituiu-me valor precioso, impedindo-me o mergulho fatal. E aqui me encontro, em sua companhia para dizer-lhe que vale a pena sofrer pelas causas nobres, que toda a glória se renova ao trabalhador infatigável do bem e que você deve aproveitar o bendito ensejo de permanência na Terra, na continuidade do belo serviço a que foi conduzido pelas Forças Superiores que lhe presidem os destinos.
Você, meu amigo, é o senhor de oportunidades extensas, de dádivas desconhecidas, de tesouros ocultos. Não perca o velho contato com as linhas humildes do sofrimento, mobilize as suas energias na laboriosa atividade de socialização; entretanto, a política do Evangelho de Cristo espera-o em região de paz duradoura e luz santificante.
Infelizmente a paisagem do Brasil social e político é ainda obscura, desconcertante. Angustiosas surpresas podem surgir, de improviso, aos idealistas militantes. Que outros se atirem às águas turvas é compreensível e natural. Você, porém, meu amigo, recebeu títulos espirituais para serviço muito mais eficiente às coletividades de nossa pátria.
A administração pública, a condução dos movimentos educativos no plano social representa tarefas muito respeitáveis, mas o trabalho d’Aquele que é a Luz do mundo, desde o princípio, constitui divina realização, repleta de glórias absolutas. Creia que para aprender semelhante lição tenho sofrido muito. Não a assimilei sem renunciação e dor. E em transmitindo-a quero apenas significar-lhe o meu carinho de amigo, o meu apreço de companheiro, a minha admiração de irmão de luta, cujo devotamento a você, nem mesmo a morte conseguiu destruir.
Guarde, pois, o coração reconhecido do seu de sempre.”
Pedro Ernesto.
ESCLARECIMENTOS
(mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo, MG, a 16 de dezembro de 1945; endereçada a Miguel Timponi * – seu amigo e advogado).
* Miguel Timponi foi Secretário do Interior e Segurança (Justiça), no antigo Distrito Federal, em 1935 quando Pedro Ernesto era o Prefeito.
**Dr. Miguel Timponi (Juiz de Fora, MG, 27/09/1893 – Belo Horizonte, MG, 13/02/1964), foi advogado da Federação Espírita Brasileira e do médium Francisco Cândido Xavier, na década de 40, no rumoroso “caso Humberto de Campos”. E o autor dos livros: A Psicografia Ante os Tribunais (O caso Humberto de Campos), e Magnetismo Espiritual (com o pseudônimo Michaelus), ambos da FEB. (Nota da Editora).